28 de ago de 2016

Para fugir da mesmice: KTM Duke 200 e 390

Há alguns anos para se ter uma moto um pouco mais potente que a linha CBX da Honda era preciso aturar uma moto com peso elevado, motor grande e nervoso — fraco em baixa e muito potente em alta — e mínima adaptação para uso urbano. Além de gerar todo esses incômodos, eram motos nada seguras mesmo àqueles que faziam escalada gradual de potência.

Felizmente, nos últimos anos foram criados mais "degraus" entre as 250 e as 600 superesportivas, formados por motos com motores elásticos e baixo peso. A nova linha Duke da austríaca KTM chega para ser um meio termo entre as populares 250/300 e as 600. Sem cobrar muito por isso.

KTM Duke 200

Não parece interessante sair de uma CB 300R para uma 200, mas a pequena austríaca é uma excelente opção para quem quer apenas mais exclusividade. E é provável que a 200 tenha desempenho superior, com os mesmos 26 cv, seis marchas e quase 20 kg a menos.

A Duke 200 foi bastante elogiada pela imprensa internacional por conta do motor elástico e do estilo diferenciado. Os traços fortes e a decoração laranja/preto agradam bastante e distinguem a linha do que há no mercado. Por R$ 16 mil o comprador leva design de personalidade, quadro com partes treliçadas, escapamento dorsal de ronco bacana e pneus Pirelli Diablo Rosso II.

KTM Duke 390

A KTM conseguiu criar uma concorrente para Kawasaki Ninja e Yamaha R3 sem precisar fazer uma moto carenada, que não é muito sua praia. E de quebra fez uma opção melhor.

O motor de um cilindro pode não ser girador como os das esportivas carenadas, mas é bastante elástico e rende 44 cv e 3,5 kgfm, mais que o bicilíndrico da R3. Como se não bastasse, a Duke 390 é mais leve que a CB 300R e sai de fábrica com ABS de série. Ou seja, para quem tem R$ 22 mil e deseja uma moto ótima na cidade, segura na estrada e divertida no track-day, essa KTM é a melhor opção.

Fugir da mesmice

O Brasil ainda é — e será por muito tempo — território da Honda. Embora nos grandes centros outras marcas consigam vendas expressivas nos segmentos acima de 300, nas regiões Norte e Nordeste e no interior em geral a marca japonesa consegue dominar pela falsa sensação de manutenção barata. A oferta de peças e serviços é farta para as populares, mas nos segmentos premium todas as motos são iguais, ou seja, difíceis de comprar, manter e revender. Essas duas KTM podem ser exceção. Ambas tem motor simples de apenas um cilindro, pouquíssima carenagem e transmissão final por corrente. E o baixo peso reduz consideravelmente o desgaste de peças.

Especificações da KTM Duke 200 e da Duke 390
Torque em baixa é algo que a KTM privilegia, talvez pela experiência em motos de fora-de-estrada. A superesportiva RC8, por exemplo, entrega quase todo seu torque às 3000 rpm. Mérito do motor V2. Mais torque em baixa proporciona uma pilotagem agradável, sem precisar andar de "cabo enrolado" o tempo inteiro. Os gráficos abaixo mostram como a potência e o torque da Duke 390 é distribuído na faixa de rotação.